(outubro/2009)
Na obra de Jean-Baptiste é essa monumentalidade, ou são essas
mudanças de cor sem ordem sequencial alguma, que bruscamente
colocam o olho humano ante o efeito da perda.
A forma se dissipa. A precisão busca uma área, a satura e a funde
com a superfície, como quem pensa em um negativo de luz desproporcional.
Quantidades ambivalentes, sem uso, desconhecem o motivo da busca de
uma nova lei a partir dos valoresaproximados da estimativa. É a beleza
de se achar situado antes de coincidir com alguém ou algo. Certa vez
Carl Andre escreveu, como prefácio explicativo da obra de Frank Stella,
apenas estas duas linhas: 'A arte exclui o desnecessário.
Frank Stella fundou sua não-necessariedade para pintar listras. Não há
nada mais nas suas pinturas.' Como intérprete minimalista ele seria capaz
de tocar por um tempo ilimitado uma nota musical sem censura ou
bloqueio na passagem. Na obra de Déchery, essa nota pode chegar, ainda
que não sempre a mesma, para interromper uma visão passiva.
Desarticuladores, traços que oscilam pela repetição natural dos gentios,
mulheres, vultos, porém nunca irá permitir-se uma alusão direta ao tema.
Notas fixas em cumplicidade com padrões, estampas, versões, taxonomia
ou polígonos que se assemelham a mecanismos. Volume que se faz de um
corte de pernas em movimento ou de braços impressos, objetos passíveis
de representar um solo, marcas de uma posição e o seu revés.
Xenia Roque, historiadora da Arte.